Hoje acordei agoniada.
Sonhei que o esperava na plateia de um espetáculo e que não apareceu... Havia-me deixado sozinha e todos perguntavam por ele. Eu dizia... "Não sei dele... estou à espera do intervalo para ver se tenho alguma chamada... concerteza atrasou-se... está no trânsito... sei lá!"
E antes de lhe poder ligar, acordei. Deparei-me com um momento real ainda pior que era perceber que não podia ligar por razão nenhuma, a não ser que parecesse forçada! Fiquei furiosa! Rabujenta! Agora aparece nos meus sonhos! Uma invasão plena.
E pronto... lá ponho eu a cabeça debaixo do chuveiro para preparar-me para o palco mais uma vez. Vamos lá representar que está tudo bem que o mundo lá fora espera-nos e não pode viver sem estas minhas gargalhadas de merda! Ah.... Era tão bom que até essas fossem importantes para alguém. Mas diz o ditado que por morrer uma andorinha não se vai a Primavera...
Entendo aquelas divas que de um dia para o outro desaparecem. O palco é uma carga que não é para todos e os mais lúcidos um dia chegam à conclusão que é insuportável viver assim. Há dias a minha irmã dizia-me "Desisti de falar com aquele terapeuta porque depois de sexta achei que estivesses melhor... Desculpa.." e eu disse-lhe "Estás a brincar comigo? Conheces-me há 12 ou 14 anos e achas que está tudo bem por 3 horas de mundo não real fantasioso?! Porque deste a merda duma festa e a vida é assim... uma grande festa!!! Desde quando?!" Estar em palco é como aprender a andar de bicicleta... Quando aprendes nunca mais esqueces e entras em palco se for preciso mesmo depois de muitos anos. E tal como a bicicleta, podes é escolher um dia nunca mais andar... ou deixares de ter pernas (boas) para pedalar.
Hoje é um daqueles dias. Apetece-me gritar ao mundo. Ipiranga desmedido. Revoltar-me com toda a minha energia. Partir tudo! Que injustiça.... que injustiça grita o meu coração...
Bem... Vou trabalhar... Até onde poder pedalar.
TmAV
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