Loura de dia, morena de noite. Carente, porém independente sai lampeira e fresca de casa. Não esqueceu o perfume da morte, mas coloca uma flor no cabelo e tem pintadas as unhas dos pés de cor-de-rosa. Olha várias vezes para o telemóvel e é salva pelo toque que lhe conta as rotinas do dia, já não está sozinha. Mas sabe sempre estar sozinha. Desliga e suspira transpirada a chegada a bom porto. Transpira mas cheira bem e tem sempre um toque de leveza laminada para cada passo que dá. Roda os anéis nos dedos. Ajeita os brincos de prata e parte.Sabe fingir que não vê, mas olha tudo ao redor pelo canto dos seus olhos verdes discretos, tão discretos que por vezes castanhos. Por outras vezes ainda os seus olhos perdem-se no infinito, no imaginário, nas fantasias que cessam ao barulho da buzina.
Volta a chegar ao destino e caminha agora determinada, linda e única. Olha em frente e não cairía nem com a força de 20 homens, é como um touro em arena só que em camara lenta. Todos a olham. Não esconde a sua tesão, mas dá-se a um respeito ainda mais libidinoso. Sorri, mas não ri. Molha os lábios, mas não olha para ninguém. Não se mostra e não se esconde. Fica pousada como flor de jardim, mas é espontânea e gosta tanto de si.
A Mulher Portuguesa está cada vez mais puta e por isso, cada vez mais bonita.
TmAV
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